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Info Acústica

Quando falamos de fazer um “bom som” de sala”, estamos provavelmente a tratar a acústica de salas como a ciência acústica tinha sido durante centenas de anos.Até então, uma boa acústica acontecia por experimentação, por experiência ou simplesmente por acidente.

Actualmente, sabemos muito acerca dos parâmetros que influenciam o “som” de uma sala.
Falando acerca da sala de controlo, sabemos que, basicamente, esta sala deve funcionar como o mais neutra possível. Mas nem sempre é esse o caso. Vamos dar uma breve olhadela em algumas dessas questões a que se deve estar atento.
 
Boa acústica

Eis uma lista de importantes parametros relacionados com uma boa acústica.

» Tempo de reverberação apropriado
» Boa distribuição de som
» Nível de pressão sonora adequada
» Baixo nível de ruído de fundo
» Sem eco (eco flutuante)


Vamos agora dar uma olhadela nestes títulos que serão adequadas para a maioria dos objectivos relativos à produção de som.
 
  TÓPICOS
» Tempo de Reverberação
» Formula de Sabine
» Modos de sala
» Como é que as ondas estacionárias influenciam o campo de som?
» Ondas Estacionárias
» Materiais Absorventes
» Difusores
» Filtro em Pente
» Cancelamento da parede de trás
 
 
TEMPO DE REVERBAÇÃO.
 

O tempo de reverberação é definido pelo tempo que o som toma em atenuar 60 dB após a paragem da fonte.
Na vida real, podemos experimentar tempos de reverberação de aproximadamente 0 segundos (no exterior ou em câmaras anecóicas) para algo de 10-12 segundos. Em câmaras especiais de reverberação, o tempo pode exceder os 20 segundos. As salas de controlo, normalmente, têm um tempo de reverberação à volta de 0,2 – 0,3 segundos.  Porque é que temos reverberação?
 

A velocidade da propagação de ondas sonoras é muito lenta – pelo menos quando comparada com a da luz: aprox. 1130 pés ou 340 metros por segundo. Se não houver superfícies reflectoras entre a fonte de som e os nossos ouvidos, apenas é ouvido o som directo e não há reverberação. Se o som for gerado numa sala, há muita reflexão. Cada uma destas viagens têm caminhos diferentes com distâncias diferentes a caminho do receptor. Sempre que o som choca com uma superfície, ele pode perder alguma energia se a superfície for absorvente.
   
 
 
 
         
Uma fonte de som, um receptor e nenhuma sala. Apenas o som directo é recebido.
 
Uma fonte de som, um receptor e uma superfície reflectora. O som é recebido duas vezes. (na sala de controlo isto é normalmente experimentado como filtração em pente, ver mais adiante).
 
Uma fonte de som e um receptor numa sala. O impulso de som é reflectido por muitas superfícies. Todas as reflexões se juntam e são ouvidas como reverberação.
 
 
FORMULA DE SABINE.
 

Sabine é o pai da acústica moderna. Ele descobriu que o tempo de reverberação é descrito pela relação entre o tamanho da sala e a quantidade de absorção na sala. Salas maiores – maior reverberação. Absorção maior – Reverberação menor.

T = 0,161 x V / A

Em que
T: Tempo de reverberação em segundos
V: Volume em m3
A: Absorção em m2 Sabine
0,161: é uma constante (para tornar o cálculo correcto com as unidades verdadeiras)

 

Nota: Um metro quadrado (1 m2) Sabine é comparável com uma janela aberta com uma área de um metro quadrado. O som que bate na janela desaparece e nunca voltará. Um metro quadrado Sabine é um metro quadrado de absorção total.
A fórmula básica parece simples, mas o problema é que os materiais na sala absorverão de modo diferente a frequências diferentes. A absorção pode ir de nenhuma (totalmente reflectora) a absorção total.
Um tempo de reverberação apropriado deve ser constante com a frequência, mas isso nem sempre é o caso, por causa do comportamento dos materiais da sala. As baixas frequências são as mais difíceis de controlar. É por isso que o tempo de reverberação contra a frequência na prática pode parecer-se com isto:
   
 
 
Tempo de reverberação numa sala de controlo. De 250 hz para cima a curva está bem colocada acerca de 0,3 segundos. Mas abaixo, o tempo de reverberação aumenta para 0,75 segundos o que é demais.
 
 
MATERIAIS ABSORVENTES.
 

Materiais absorventes de membrana
Este tipo de material absorvente inclui pisos, janelas, portas, etc. de madeira. Este material absorvente fornece absorção na extremidade de baixo da gama de frequências. A eficácia não é, geralmente, muito elevada, mas sob condições normais, grandes áreas são abrangidas na construção básica da sala. Materiais absorventes de membrana especialmente concebidos podem ser muito eficazes.
Membrana; Lã mineral ou similar .

Materiais absorventes ressonadores
Os materiais absorventes ressonadores incluem painéis com fendas, placas perfuradas, ressoadores de Helmholtz, etc. Estes materiais absorventes são normalmente usados para gama média de frequências. A absorção é de média para alta.
Orifícios ou fendas; Lã mineral ou similar.

 

Materiais absorventes porosos
Estes materiais absorventes incluem lã mineral, carpetes, cortinas e por aí adiante. Podem ser muito eficazes, mas a espessura do material tem que ser tomada em consideração. Camadas finas deste material apenas absorverão as frequências mais elevadas. (Pense numa sala de ensaio numa cave de cimento em que o único amortecimento é uma carpete no chão. Nada bom para as baixas frequências!)
Para absorver uma dada frequência (e todas as frequências acima), a espessura do material absorvente deve ser de um quarto do comprimento de onda dessa frequência. Ou a frente do material deve ser colocado a uma distância de um quarto do comprimento de onda.
 
 
DIFUSORES.
 
 
Um difusor permite a difusão da reflexão do som radiado contra ele. Pode ser uma solução muito útil nos casos em que a reflexão perturba a imagem do som e não é aconselhável adicionar mais absorção. Por isso, de modo a reduzir os ecos flutuantes, filtração de pente, etc., podem ser colocados elementos especiais na superfície “perturbadora”. Estes elementos devem ter dimensões comparáveis às frequências em que a difusão é desejada.
Absorção ou difusão?


Uma técnica especial desenvolvida por Manfred Schroeder é muito capaz de fazer uma difusão controlada e suave. Estes difusores normalmente referidos como o "Woodiffusor" inspirado neste tipo de difusores pode bem dar o exemplo de uma boa difusão.

Secção transversal de um painel acústico da Jocavi: - o Woodifusor.
 
 
 
ONDAS ESTACIONÁRIAS.
 

As ondas estacionárias existem em todo o tipo de salas. A forma da sala, as suas dimensões e a relação ente as dimensões da sala são parâmetros importantes que determinarão as frequências à volta das quais o fenómeno existe, bem como a distribuição destas ondas estacionárias. Mas como é que elas acontecem ?

Imagine uma fonte de som. Quando o som é emitido, a onda sonora propagar-se-á em todas as direcões se não tiver obstáculos à sua frente. Isto acontecerá, é claro, à velocidade do som. Agora, se o som for colocado no interior de uma sala, a onda sonora atingirá os limites da sala. Se os limites consistirem em superfícies acusticamente duras (reflectoras), o som é reflectido.

Se o ângulo de incidência for de 90º, o som será reflectido directamente para trás para onde veio. Sob certas circunstâncias, a onda sonora encontrar-se-á consigo mesma outra vez. Por exemplo, se o som for reflectido entre paredes paralelas.

 

Tal torna-se num problemas, quando a onda sonora não apenas se encontra consigo mesmo, mas também se encontra consigo mesmo em fase. E isto acontecerá quando a distância entre as paredes for metade do comprimento de onda da onda sonora radiada. Ou um comprimento de onda, ou 1 ½ , 2, 2 ½ e por aí adiante.

A este fenómeno chama-se ondas estacionárias. Na verdade, a onda sonora não está estacionária. Mas é sentida como tal, porque as pressões sonoras máxima e mínima estão posicionados em locais fixos da sala.

O campo de som é inicialmente radiado tendo uma frente de som
radial mas dentro de umas poucas reflexões o campo
de som atingiu uma frente de ondas plana

 
 
MODOS DE SALA.
  Estas frequências especiais também são chamadas modos de sala. As ondas estacionárias entre paredes paralelas são chamadas modos axiais. Existem outros modos como o tangencial e radial. Normalmente, os modos axiais são os mais fortes.
 
     
 

Axial

     
 

Tangencial

     
  Radial
     
   
 

As ondas estacionárias são caracterizadas por terem uma pressão de som máxima nos limites da sala. Dependendo da frequência há um ou mais cortes através da sala.Numa sala com a forma de caixa, as frequências podem ser calculadas assim:

em que :
f = frequência em Hz
c = velocidade do som (aprox. 340 m/s ou 1130 ft/s)
l = comprimento da sala
w = largura da sala
h = altura da sala
n = inteiro de 0 para cima

 

   
 
 
 
COMO É QUE AS ONDAS ESTACIONÁRIAS INFLUENCIAM O CAMPO DE SOM?
 
     
Os máximos das ondas estacionárias estão ilustrados na figura.
A curva exprime as zonas da sala onde a frequência real é audível. Nos mínimos, a frequência são representadas num nível muito mais baixo (algumas vezes -40 dB comparado com o máximo).

Se a sala tiver as mesmas dimensões como comprimento, largura e igual altura é muito problemático obter uma igual distribuição de som.

 
Como impedir as ondas estacionárias?
Devem ser evitadas paredes paralelas na sala. Assim são suprimidos os modos mais fortes. Quando colocar os monitores é importante que sejam excitados o menor número de modos possíveis. Por isso é que os monitores não devem ser colocados num máximo da onda estacionária. Quando os monitores forem embutidos na parede, deve, por isso, preocupar-se em que a parede oposta não seja paralela à parede do monitor.
A baixas frequências, um monitor poder ser considerado como a radiar a energia sonora em todas as direcções.
     
 


Também se chama a isto uma radiação 4

Quando se coloca o monitor perto de uma barreira sólida – por exemplo uma parede – a energia sonora que deveria ter sido radiada na direcção da parede, é, em vez disso, radiada em ½ espaço livre. Por isso, a pressão sonora é duplicada em ½ do espaço, que poderá render + 6dB.
 

Também se chama a isto uma radiação 2

Colocando o monitor contra duas barreiras – por exemplo num canto limitado por duas paredes – está agora a radiar em ¼ de espaço. Agora, a pressão sonora é duplicada duas vezes, o que rende +12 dB.
     
 

Também se chama a isto uma radiação

Colocando o monitor contra três barreiras – por exemplo um canto limitado pelo solo e duas paredes – o som é radiado num 1/8 de espaço. Comparado com o espaço livre, a pressão sonora aumenta agora em 18 dB.
 

Também se chama a isto uma radiação /2

Na prática, a colocação perto de barreiras, paredes ou chão, influenciará a gama de frequências abaixo dos 125-150 Hz.
 
 
FILTRO DE PENTE.
 
     
 
A função de filtração que aparece quando um sinal é adicionado a si mesmo após ter sido atrasado chama-se filtro em pente. A resposta da frequência resultante assemelha-se a um pente, daí o nome.
     
 
Adicionados dois sinais sinusoidais de 500 Hz. O segundo sinal é atrasado em 1 ms daí a soma ser zero. Adicionados dois sinais sinusoidais de 1 kHz. O segundo sinal é atrasado em 1 ms daí a soma é duplo (+6 dB).
 
A função de filtro em pente quase nunca é intencional, mas é ouvida a todo o momento em produções sonoras, em que pode aparecer tanto acústica como electricamente. Acusticamente, ela ocorre tipicamente quando o som no seu caminho a partir da fonte para o receptor toma em parte uma via directa e em parte uma via indirecta através de uma única superfície reflectora. A reflexão deve ser atenuada pelo menos 10 dB e, de preferência, 15 dB de modo a não ter efeito no campo de som na posição do receptor. Electricamente, o fenómeno aparece quando dois microfones com uma certa distância entre eles caputram o mesmo sinal e o nível de cada microfone é da mesma ordem de magnitude.
 
 
Duas situações típicas em que os filtros em pente aparecem, quer acústica quer eléctricamente.
Em geral: todo o processamento de sinais digitais leva tempo. Isto significa na prática que os efeitos de filtro em pente podem aparecer se passar a via de sinal, por exemplo, colocar um compressor e combinar este sinal com o original.
     
Nível dB Frequência – Hz
Um exemplo de filtro em pente criado pela combinação de dois sinais com a mesma amplitude, mas com um atrado de tempo entre eles de apenas 1 ms. Pode ser visto que ocorre um corte devido ao cancelamento a 500 Hz, 1,5 kHZ, 2,5 kHz, etc. Também pode ser visto que os dois sinais adicionam para o dobro o seu valor (+6 dB) a baixas frequências e com um atraso de comprimento de onda completo a 1 kHz, 2 kHz, 3 kHz, etc.

Frequências de corte

O cancelamento ocorre para um filtro em pente a todas as frequências em que dois sinais estão em fase oposta. Isto ocorre quando o atraso de tempo compreende uma duração de períodos de ½, 1 ½, 2 ½, etc. A 1 kHz o período é de 1 ms. Metade do período é de 0,5 ms. Se um tempo de atraso de precisamente de 0,5 ms ocorrer, isso significa que o cancelamento aparecerá, não apenas a 1 kHz, mas também a 2 kHz, 3 kHz, 4 kHz, etc.
 
 
 
CANCELAMENTO DA PAREDE DE TRÁS.
   
 
 
Quando o monitor é montado a uma certa de distância da parede, podem ocorrer reflexões a partir da parede e influenciar a resposta de frequência percebida. Tal pode resultar numa filtração em pente se todas as frequências produzidas pelo monitor forem radiadas em todas as direcções. Mas os monitores são, tipicamente, apenas omnidireccionais a baixas frequências.
O resultado da reflexão é um único ou uns cortes únicos na resposta da frequência percebida em frente do monitor. Esta frequência é anulada por causa da reflexão com fase oposto. A resposta da frequência pode assemelhar-se a isto: um cancelamento na frequência que tiver um comprimento de onda igual a quatro vezes a distância à parede de trás.

O corte – ou cancelamento de frequência – está dependente da distância à parede. Se a distância for de 1m, a primeira frequência de corte ocorrerá na frequência com o comprimento de onda de 4m.

l = c/f
em que :

l = comprimento de onda (m) (ou ft)
c = velocidade do som (m/s) (ou ft/s)
f = frequência (Hz)

Por isso:

4 = 344 / f
F = 86 Hz

Uma posição mais perto resultaria no cancelamento a frequências mais altas. Isto é então limitado pela frequência em que o monitor se torna direccional e não radia som para trás.
Uma posição mais afastada resultaria no cancelamento a frequências mais baixas. Isto é então limitado pela distância ser demasiado longa, que o som reflectido é atenuado devido ao percurso de caminho extra-longo.

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